A evolução da inteligência artificial trouxe ferramentas capazes de criar imagens, vídeos e áudios extremamente convincentes. Embora essas tecnologias tenham aplicações legítimas, também podem ser utilizadas em golpes digitais.
Um dos exemplos que mais chama atenção são os deepfakes, conteúdos manipulados ou gerados por inteligência artificial que podem imitar o rosto e a voz de uma pessoa.
Criminosos podem utilizar esse recurso para tentar convencer familiares e amigos de que alguém conhecido está enfrentando uma emergência e precisa de dinheiro.
Neste artigo, você vai entender como funcionam os golpes com deepfake, quais são os principais sinais de alerta e o que fazer antes de realizar qualquer pagamento.

O que é um deepfake?
Deepfake é o nome dado a conteúdos digitais criados ou modificados com técnicas de inteligência artificial para imitar a aparência ou a voz de uma pessoa.
A tecnologia pode ser utilizada para:
- alterar rostos em vídeos;
- gerar falas artificiais;
- imitar características da voz;
- criar vídeos falsos;
- modificar imagens existentes.
O problema surge quando esse tipo de tecnologia é utilizado para enganar outras pessoas.
Como criminosos usam deepfakes para aplicar golpes?
Uma estratégia possível é reunir informações públicas disponíveis na internet.
Criminosos podem encontrar fotos e vídeos publicados em redes sociais e utilizar ferramentas de inteligência artificial para criar uma imitação.
Depois, o golpista entra em contato com um familiar pelo WhatsApp, ligação ou outro canal e afirma estar enfrentando algum problema.
A história pode envolver situações como:
- celular perdido ou quebrado;
- acidente;
- problema médico;
- necessidade de pagar uma conta urgente;
- transferência que precisa ser realizada imediatamente.
O objetivo é criar uma situação emocional para fazer a vítima agir sem verificar a informação.

O golpe da voz clonada
Um dos cenários que merece atenção envolve a clonagem de voz.
Imagine receber uma ligação de alguém que parece ser seu filho, irmão, neto ou outro familiar.
A pessoa afirma estar em uma situação de emergência e pede dinheiro.
A voz pode parecer muito semelhante à de alguém conhecido, mas isso não significa que a ligação seja verdadeira.
Por isso, não tome uma decisão financeira apenas com base na voz da pessoa.
Como identificar um golpe com voz clonada?
Alguns sinais podem levantar suspeitas:
- pedido inesperado de dinheiro;
- pressão para realizar uma transferência imediatamente;
- história envolvendo uma emergência;
- solicitação para manter o assunto em segredo;
- pedido para enviar dinheiro para uma conta diferente;
- mudança repentina na forma de comunicação.
Nenhum desses sinais prova sozinho que se trata de um golpe, mas vários deles juntos devem aumentar a atenção.
O que fazer se receber uma ligação suspeita?
A primeira regra é simples: não faça o pagamento imediatamente.
Desligue e tente entrar em contato com o familiar utilizando um número que você já conhece.
Não utilize apenas o número fornecido durante a ligação suspeita.
Você também pode fazer uma pergunta pessoal que somente a pessoa verdadeira provavelmente saberia responder.
Entretanto, não dependa exclusivamente desse método, pois informações pessoais podem ser encontradas em redes sociais ou obtidas de outras maneiras.
Faça uma chamada para o número conhecido
Se alguém disser que trocou de número ou que está utilizando o celular de outra pessoa, não aceite a explicação automaticamente.
Entre em contato com o número que você já tinha salvo.
Se a pessoa realmente estiver enfrentando uma emergência, procure confirmar a situação por outro canal.
Cuidado com pedidos urgentes de Pix
No Brasil, muitos golpes envolvendo engenharia social utilizam o Pix porque as transferências podem ser realizadas rapidamente.
Uma mensagem como “preciso que você faça um Pix agora” deve ser tratada com cautela, principalmente quando existe pressão emocional.
Antes de transferir qualquer valor:
- confirme a identidade da pessoa;
- ligue para um número conhecido;
- converse com outro familiar;
- verifique o nome do destinatário;
- não se deixe pressionar pela urgência.
Não confie apenas em vídeos
Deepfakes também podem manipular vídeos.
Um vídeo aparentemente enviado por um familiar não é necessariamente uma prova de que a pessoa realmente fez aquela gravação.
Observe inconsistências, como:
- movimentos estranhos da boca;
- áudio pouco natural;
- expressões faciais incomuns;
- iluminação inconsistente;
- movimentos artificiais;
- respostas que não combinam com a situação.
No entanto, é importante lembrar que a tecnologia está evoluindo. Um conteúdo falso pode apresentar poucos sinais perceptíveis.
Por isso, a melhor proteção é confirmar a informação por outro meio.

Evite divulgar informações pessoais em excesso
Fotos, vídeos e gravações de voz publicadas abertamente podem fornecer material para criminosos.
Isso não significa que você precise abandonar as redes sociais.
Porém, é recomendável revisar:
- quem pode visualizar suas publicações;
- quem pode acessar seus vídeos;
- quais informações pessoais estão disponíveis publicamente;
- quais números de telefone e dados de contato aparecem nos perfis.
Quanto menos informações públicas estiverem disponíveis, mais difícil pode ser montar uma história personalizada.
Como proteger familiares idosos contra esse tipo de golpe?
Pessoas que não acompanham as mudanças tecnológicas podem ter mais dificuldade para reconhecer conteúdos manipulados.
Converse com familiares sobre golpes envolvendo inteligência artificial e combine procedimentos simples.
Por exemplo, a família pode estabelecer uma palavra ou pergunta de confirmação para situações realmente urgentes.
Outra medida é combinar que nenhum familiar solicitará uma transferência financeira sem que a identidade seja confirmada por uma ligação para um número conhecido.
O que fazer se você já enviou dinheiro?
Se você perceber que caiu em um golpe, não espere.
Entre em contato imediatamente com o banco ou instituição financeira pelos canais oficiais e informe o ocorrido.
No caso de uma transferência via Pix, solicite orientação sobre os mecanismos disponíveis para contestação da transação.
Também é recomendável registrar a ocorrência junto às autoridades competentes e guardar evidências, como:
- mensagens;
- números de telefone;
- comprovantes;
- dados da conta que recebeu o dinheiro;
- capturas de tela;
- arquivos de áudio ou vídeo.
Quanto mais informações forem preservadas, melhor para documentar o caso.
Deepfake significa que todo vídeo ou áudio pode ser falso?
Não.
A existência da tecnologia não significa que todos os conteúdos encontrados na internet sejam manipulados.
O principal objetivo é desenvolver o hábito de verificar informações importantes antes de tomar decisões, principalmente quando envolvem dinheiro, senhas ou dados pessoais.
Perguntas frequentes
É possível clonar a voz de uma pessoa com inteligência artificial?
Existem tecnologias capazes de gerar ou imitar vozes a partir de amostras de áudio. Por isso, uma voz semelhante à de um familiar não deve ser considerada prova suficiente de identidade.
Como saber se uma ligação com voz clonada é verdadeira?
Desligue e entre em contato com a pessoa por um número conhecido. Confirme a situação por outro canal antes de realizar qualquer pagamento.
Um vídeo pode ser usado em golpes com deepfake?
Sim. Técnicas de manipulação podem alterar rostos, vozes e outros elementos de vídeos. Por isso, vídeos também devem ser analisados com cautela quando envolvem pedidos de dinheiro.
O que fazer se um familiar pedir dinheiro por WhatsApp?
Não faça a transferência imediatamente. Ligue para o familiar utilizando um contato já conhecido e tente confirmar a situação.
Como evitar golpes de deepfake?
Desconfie de pedidos urgentes, confirme identidades por outro canal, evite compartilhar informações pessoais em excesso e nunca realize pagamentos apenas porque uma mensagem, ligação ou vídeo parece convincente.

Como se proteger de golpes com inteligência artificial
Uma boa regra é lembrar que aparência e voz não são mais suficientes para confirmar a identidade de alguém.
Adote alguns cuidados:
- desconfie de pedidos inesperados de dinheiro;
- nunca compartilhe códigos de autenticação;
- confirme situações urgentes por outro canal;
- não clique em links enviados por desconhecidos;
- confira cuidadosamente os dados do destinatário antes de fazer um Pix;
- limite a exposição de informações pessoais nas redes sociais;
- converse com familiares sobre golpes envolvendo inteligência artificial.
Conclusão
Os deepfakes mostram como a inteligência artificial pode ser utilizada tanto para aplicações úteis quanto para atividades fraudulentas. A possibilidade de imitar rostos e vozes torna alguns golpes mais convincentes, mas também reforça a importância de verificar informações antes de tomar decisões.
Se alguém conhecido entrar em contato pedindo dinheiro com urgência, não confie apenas na voz, no vídeo ou na mensagem recebida. Desligue, procure a pessoa por um canal conhecido e confirme a situação antes de realizar qualquer transferência.
Em golpes digitais, alguns minutos de verificação podem evitar uma decisão precipitada e ajudar a proteger seu dinheiro e suas informações pessoais.